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Um bom começo

Primeiros passos, no campo, a época da casa de vidro

Narrativa poética

Por Joana Fernandes


Chegou a época da Casa de Vidro

Transparente nos afetos, sustentadora da gratuitidade do quotidiano.
Nutridora da expressão de Sermos.
Devotada e dedicada aos espaços criativos e co-criadores.
É uma casa em construção de dentro para fora, que nasce da necessidade, que se expressa de acordo com a possibilidade e o querer de cada um; que se materializa sempre de forma sustentada.
É uma casa leve que se transmuta ao longo do tempo.
É a experiência de uma nova forma de Herança, de materialidade.

(escrito em 24 – 06 – 2016)


Primeira forma da casa de vidro

E eis-me na Casa de Vidro!
No primeiro samu* do jardim: limpar hera para que as árvores voltem a respirar, para que o jardim respire.
Limpeza do que parasita o outro, de dependências que desnutrem e desvitalizam.
A relação da hera com as árvores é a natureza a falar-me disso. É verde, bela…mas invade; agarra-se com as suas pequenas garras e, se não a vigiamos, acaba por matar. Tudo está expresso na Natureza. O Divino expressa-se à nossa volta. Parar o sentir e a Ele me ligar, preciso de vivê-lo diretamente e então a minha alma compreende.

*samu, trabalho realizado sem espírito de proveito.
(escrito em Pousos, em 18 – 05 – 2021)

No dia seguinte

Hoje sei que tenho em mim a energia de fada. Hoje vivi o trabalho da fada Oriana: cuidar das árvores. As árvores do “meu” jardim estavam a ser asfixiadas pela hera. Ela estava por todo o lado, numa profusão de verde…

Comecei, qual colibri gota a gota, a libertar árvores, jardim e casa da hera em excesso, para que tudo possa experimentar uma Nova Respiração, uma Nova Vida.
Um sentimento de profunda e natural gratidão acompanha-me dia e noite. Será assim também com o espírito das árvores, do jardim e dos seres que aqui habitam?!

(escrito em Pousos, em 19 – 05 – 2021)

Refletindo

A hera não é boa nem é má. Ela é tal qual a sua natureza original. Protege, de modo bem enraizado, a casa, o jardim e os seres que nele habitam do excesso de luz e calor. Ela tem uma função refrescante do fogo do sol e ajuda muitos seres a encontrarem o seu lugar e o seu modo de expressão natural. Em excesso mata porque produz couraças sombrias que, a pouco e pouco, não deixam entrar qualquer forma de luz e calor. Assim a alma de qualquer ser vai lentamente diminuindo a sua chama até que se apaga e o Ser morre.
Então o que devo fazer não é combater a hera, mas sim vigiá-la para que tudo possa evoluir em harmonia. Todo o ser tem uma praga em potencial dentro de si que tudo pode invadir se não for vigilante.

(escrito em Pousos, em 21 – 05 – 2021)

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