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Agricultura Alternativa

não é mais uma Alternativa

Por Walter Sandes

Agricultura alternativa foi uma expressão que surgiu em meados das décadas de 60 e 70 para denominar de forma generalista as diversas correntes de produção agrícola com base ecológica, que se negavam a seguir o então sistema agrícola industrializado denominado agricultura convencional.

Na prática, uma boa parcela das pessoas que migraram para a agricultura alternativa não foram por questões idealistas pura e simplesmente, mas sim, por verem seus solos degradados e seus cultivos doentes com baixas produtividades em sem viabilidade econômica

Se tivermos uma crise alimentar, não será causada pela insuficiência da capacidade produtiva da natureza, mas pela extravagância do desejo humano. ” –

Masanobu Fukuoka

Apesar da década de 70 ter sido um marco na quebra dos paradigmas da agricultura convencional, os movimentos a favor da agrobiodiversidade já se expressavam desde o final do século XIX e princípios do século XX, onde Russel, Howard, Steiner, Fukuoka, entres outros, questionavam os métodos reducionistas de Liebig e seus efeitos deletérios à natureza.

 

Vale ressaltar que as agriculturas de base ecológica não surgiram a pouco mais de um século como uma antítese à agricultura convencional industrializada. Ao exemplo da agricultura orgânica que tem como seu autor um britânico, o Sr. Albert Howard. Todavia, o mesmo estudou e sistematizou as práticas agrícolas dos camponeses tradicionais indianos, descendentes da civilização Védica, que trabalhavam de forma ecológica a milénios antes de Cristo. Portanto, a dita agricultura alternativa, existe muito antes de ser chamada alternativa. 

A sociedade atual aos poucos, de modo crescente e irrevogável, conscientiza-se da importância de ter alimentos saudáveis provenientes de uma agricultura comprometida e responsável com pleno respeito a natureza. No cerne de um sistema produtivo verdadeiramente sustentável é indissociável a economia da ecologia e o uso dos recursos naturais são fundamentados na preservação da biodiversidade e na organização sociocultural inclusiva.

Acreditando no poder evolucionário da humanidade, a agricultura alternativa será de fato a única alternativa a seguir, pois o que estamos vivendo não é um efêmero modismo do produto Eco, mas uma transição gradual e perene da agroecologia, que firmará suas raízes pivotantes e  resistentes e colocará definitivamente os interesses da agricultura intimamente entrelaçados, em todas as direções, com a esfera mais ampla da vida humana.

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